E a propósito, qual é o seu Propósito?

Você tem verdadeiramente dado tempo a si mesmo para se ver, se ouvir e se sentir de modo autêntico? As suas dimensões de Ser, fazer e ter se expressam na busca de sua realização profissional, com a convergência da remuneração que almeja, do senso de agregar valor sistemicamente ao mundo (ainda que em modesta escala) e do empreender atividades as quais com alegria você ama, enxerga significado e cultiva excelência em sua realização?

Não estou dizendo que isso seja fácil. E não é mesmo. Porém, o preço de não se permitir essa reflexão e não partir para a ação é se acomodar em uma existência aquém de suas possibilidades sob o risco de desperdício de um de seus bens mais valiosos: seu tempo de vida.

Apressados e imprensados por sucessivas cobranças e urgências, corremos o risco de deixar de lado o que realmente é importante aguardando um momento depois que talvez nunca chegue. Aflitos, padecemos de um mal-estar de difícil definição. Todavia, essa angústia pode ter uma função saudável: despertar nossa atenção para algo além do óbvio, do habitual, do feito rotina em uma realidade rasa dada como pronta e acabada.

Em uma era disruptiva, de realidades cambiantes, complexas, incertas, ambíguas e voláteis é adequado que agora você se dê esse tempo e desacelere para decidir quais são e serão suas novas resoluções com propriedade, eficácia e eficiência.

O ponto de partida para o processo de aprimoramento pessoal e profissional é a reflexão crítica, profunda e continuada sobre para que fazemos o que fazemos. E isso se resume em uma palavra: PROPÓSITO.

Note bem que em vez de “por que?“, perguntei “para que?” fazemos o que fazemos. Quando pergunto “por que?”, o foco é no passado, nas causas “históricas” atribuídas como “origem” dos resultados de hoje. Quando investigo o “para que?”, o olhar está no presente e, principalmente, no futuro, pois a atenção incide sobre as intenções, conscientes ou infraconscientes, que provocam a manutenção ou a mudança de crenças, valores, atitudes e comportamentos.

E propósito tem mais a ver com direção e modo de se viajar do que com onde você está neste momento ou aonde sequer chegará um dia. Tem, portanto, a ver com a vida que para você e por você vale ser vivida plenamente.

Pelo que vale viver e morrer? A resposta de cada um é de foro íntimo e não pode ser dada de forma banal e leviana. O que você faz ou deixa de fazer com os 1.440 minutos que dispõe por dia é da sua conta. Entretanto, será que você tem despertado para esse direito e essa responsabilidade e verificado a quem ou a que você tem servido, a quais interesses e agendas ocultas você tem doado seu tempo e seu trabalho?

Para que você faz o que você faz?

É bem conhecido, porém pouco levado em conta, o alerta sobre a crença de que “serei feliz quando…”. São aquelas situações nas quais sempre jogamos para frente uma expectativa de felicidade em desejos deslizantes que nunca terminam:

Desde cedo, estudamos para aprender e passar de ano e irmos para séries mais avançadas nas quais estudamos para aprender e passar de ano, até passarmos no vestibular e ingressarmos na faculdade onde estudamos para aprender e passar de ano até concluirmos e ingressarmos em pós-graduações onde estudamos para aprender e passar de ano e/ou ingressamos via concursos e outros processos seletivos em empresas onde buscamos carreira profissional até seu topo ou mesmo quando damos início a nosso próprio negócio, buscando a sua expansão interminável, para que no final nossos filhos também venham a repetir esse ciclo de sobrevivência e assim por diante, até que no leito da morte, reflitamos sobre para que realmente foi feito tudo o que fizemos.

Certa vez, alguém disse que há pessoas que gastam o que não têm para comprar o que não querem nem precisam com a finalidade de impressionar outras pessoas de quem sequer gostam. Sim, há uma crise de valores em um cotidiano de pouca reflexão crítica.

Não confundamos, pois, meios e fins, como aquelas pessoas que trabalham para dar vida digna às suas famílias e, em nome de seus trabalhos, negligenciam totalmente (e até brigam com) suas famílias, esquecendo que o que era para ser um meio acabou se tornando um fim em si mesmo, com a perda do propósito de origem de seus trabalhos.

Para que você faz o que você faz?

Honestidade em suas reflexões é imprescindível e, muitas vezes, isso requer coragem e humildade. Você já parou para definir qual a sua marca, qual a sua singularidade que distingue você das outras singularidades em meio a uma pluralidade de possibilidades no mundo?

A resposta a mais esta reflexão está entranhada na definição de seu propósito e requer o encontrar desnudo com si mesmo.

Já notou como há quem não suporte ficar no silêncio ou só? Muitas vezes, tememos a solidão porque ansiamos por abafar nossos próprios pensamentos por estímulos externos para que não haja o confronto com nós mesmos.

Contudo, isso não precisa continuar assim. Suportar o crescimento nesse momento de profunda descoberta é apenas parte do grande desafio da Vida. Brechas nos casulos que sempre nos fizeram pessoas de papel ao invés de pessoas de verdade começam a surgir quando despertamos para nosso propósito de existência.

Pode ser que a declaração de seu propósito esteja além das palavras. Não importa. Ou importa. O que realmente importa é que o senso nítido de quem somos e qual o Sentidoque atribuímos à nossa existência esteja vivo em nós.

É o acolhimento a um chamado irresistível que vem do âmago de nosso Ser ou de uma origem espiritual, conforme o sistema de crenças de cada um.

Minha sugestão é que você aprenda a distinguir entre os valores e cobranças de outras pessoas e aquilo que realmente faz a sua Alma vibrar intensamente e o tempo voar deliciosamente quando você se dedica a algo, ainda que essa dedicação lhe custe muita dedicação e perseverança.

Encontre seus momentos de silêncio exterior e – principalmente – interior e libere a expressão de sua autenticidade. Acolha a si mesmo sem julgamentos ou ideias preconcebidas. Dê uma chance a si mesmo.

Dialogue com pessoas que contribuam para você se conhecer melhor e perceber seus pontos cegos que talvez sozinho não consiga se dar conta.

Para facilitar, faça listas de seus hobbies, de seus programas favoritos, das atividades que você faz com alegria e com entusiasmo, das habilidades nas quais você se sobressai com facilidade e maestria, bem como daquilo que o mundo necessita e de maneiras de transformar essas ações em atividades remuneradas.

Em seguida, analise essas listas e busque convergências.

Lembre-se de que o mundo não é uma realidade pronta e acabada, congelada e imutável. Ainda que em dado instante pareça que não há como encontrar tal convergência, caberá a você, com versatilidade, empenho e resiliência, explorar as possibilidades para construir o caminho para essa realização. É divertido, relevante, desafiador e vale o investimento de seu tempo e de sua atenção.

Não tema. De propósito, escolhi esse tema para a virada de ano. Que tal abrir 2018 com a resolução de escrever e viver o roteiro de sua história pessoal e profissional de uma maneira nunca antes tentada? O desafio está apresentado. Agora, a decisão é sua…

Prof. Dr. Marcos Linhares Gatti

Publicado Originalmente em https://www.linkedin.com/pulse/e-propósito-qual-é-o-seu-marcos-gatti/

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