Negociando com Habermas*

Chama-me atenção a atualidade dos textos de Habermas alusivos à comunicação. Sua teoria de ação social se esmera em esmiuçar este fenômeno também percebido em técnicas de negociações complexas.

Segundo Habermas, o agir estratégico implica numa mensagem unidirecional, ou seja, sem a preocupação de um entendimento. Um discurso, sem que haja uma preocupação com a faculdade de entender ou mesmo de compreender o significado de algo. Da mesma forma caracterizada no posicionamento unilateral sem desejo ou necessidade de interagir com a outra parte, presente em negociações distributivas, perde-ganha.

Ainda Habermas, o agir comunicativo, prioriza o entendimento, fruto do fomento das discussões e debates, se fortalece com a ideia do compartilhamento do conhecimento e experiências atingindo um nível de maturidade consensual. A razão comunicativa pressupõe questionamentos e críticas sem perder a qualidade da coerência na harmonia da mensagem entre interlocutores. A busca do consenso integra as mentes e desenvolve a criação de valor no resultado de uma negociação integrativa, ou seja, ganha-ganha.

Recentemente redigi um artigo nesta mesma linha de pensamento, em parceria com minha orientadora, Profa. Dra. Regina Rossetti e fui designado a apresentá-lo no Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Rio de Janeiro.

Lá, em determinado momento da apresentação fui questionado sobre a conexão dos estudos desta mencionada teoria e a ciência da negociação. Habermas e seus enunciados seriam da esfera política e democracia, assim entende o indagador.

Tal provocação motivou-me a compartilhar minhas ideias. Entendo a democracia e sua essência como o exercício da busca incessante do entendimento, suas considerações pelos interesses comuns, mesmo que à nossa volta a realidade aponte em sentido contrário.

Relações democráticas e colaborativas pressupõem em sua interseção uma comunicação cristalina, lapidada pela busca de consenso, caracterizada como agir comunicativo, imprescindível nas negociações integrativas.

Rogo aos negociadores, que envidem seus pares a intensificar suas atividades afins em prol da semeadura de um entendimento pleno com ganhos mútuos.

*Jürgen Habermas é um filósofo e sociólogo alemão, que participa da tradição da teoria crítica e do pragmatismo (1929 – )

Murilo Furtado de Mendonça Júnior é mestre em ciências da comunicação; sócio diretor da EDUCORP Educação Corporativa; consultor e professor de negociação em programas corporativos e de MBA.

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